No final dos anos 70, a sociedade civil organizada, tendo a frente a OAB, a ABI, as pastorais da Igreja Católica iniciaram a mobilização popular em busca da redemocratização de nossa pátria. Acirrando as contradições contra o regime militar eram criados o Movimento dos Sem Teto, o Movimento contra a Carestia, o Movimento Feminino pela Anistia e o Comitê Brasileiro pela Anistia. Os estudantes voltavam a participar da vida política e buscavam recriar suas entidades representativas, como a UEE e a UNE. Em Bauru, não foi diferente. Gasparini, Mariano dos Metalúrgicos, Domingos de Araújo da Alimentação instalaram o Movimento contra a Carestia. Os estudantes da FEB, começaram a se organizar e começaram a disputar as entidades estudantis daquela instituição de ensino. Surgiam novas lideranças: Ivonyr Rodrigues Ayres, o Ivo; Fábio Negrão, Marcelo Borges, João Queiróz, Dalva Aleixo, Edson Yoshino, Cícero, Almir Ribeiro e tantos outros. Yoshino, filho de trabalhador e trabalhador, era funcionário da Secretaria Estadual da Educação e almejando melhores salários com conseqüente melhoria de condições de vida, adentrou a Rede Ferroviária Federal, exercendo as funções de Técnico de Segurança do Trabalho. Paralelamente, continuava estudando, sendo dirigente do movimento estudantil e participando ativamente da luta pela redemocratização de nossa pátria.
Simpatizante da linha política, então proposta pelo jornal “Hora do Povo”, ajudava a comercializar o periódico na feira livre de nossa cidade ou na rua Batista de Carvalho. Como dirigente estudantil participou do Congresso de Reconstrução da UNE em Salvador-Ba e da instalação do Comitê Brasileiro pela Anistia.
Eram atividades de massa, legais, não havendo necessidade de se recorrer a clandestinidade para realizá-las, afinal, os próprios militares davam sinais de que a redemocratização era necessária. Assim não pensavam, os defensores da ditadura, incrustados nas Estatais.
E Yoshino foi covardemente denunciado.
Participava de atividades dos comunistas, apareceu até em fotografias no Diário de Bauru como fundador do CBA. Não tinha “índole moral” para ser funcionário da RFFSA. Procedimento sumário determinaram a sua imediata demissão dos quadros da ferrovia. Não se preocuparam, que estavam jogando para o grande contingente de desempregados um funcionário exemplar e pai de família.
Com a peculiar garra oriental, o camarada não abaixou a cabeça e continuou lutando em busca da sobrevivência e de um mundo melhor. Acabou realizando Concurso para a Secretaria Estadual da Saúde, onde permaneceu por um bom período e posteriormente para a Secretaria de Segurança Pública do Estado. O perseguido político virou escrivão de polícia, atividade que como as outras, exerce com galhardia e dignidade, tanto que foi escolhido como “Policial Civil do Ano” pela Câmara Municipal de nossa Bauru.
Hoje, decorridos 27 anos de sua demissão, injusta e arbitrária, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu a reintegração aos quadros da ferrovia ao amigo e irmão, o sempre camarada Yoshino. Anistiado está o companheiro. Reparada está a injustiça cometida! Para encerrar, vou relembrar um ditado que meu saudoso pai utilizava, de forma costumeira:
“Herói não é aquele que vence uma batalha, e sim, aquele que atirado ao pó da derrota, consegue ter ânimos para continuar lutando”.
Yoshino não se abateu com a derrota que lhe foi imposta pelos costumazes adversários da democracia e da liberdade, continuou lutando e hoje pode saborear a vitória final.
Parabéns, camarada Edson Yoshino, espôsa Marlene e seus filhos. Tua vitória, vem comprovar que a luta justa pode ocasionar decepções, desemprego e entretanto, permite-nos viver com dignidade a espera da Justiça. E esta foi feita.
Vamos tomar um suco de cevada espumante em homenagem aos seu algozes!
Antonio Pedroso Júnior
chineloneles@hotmail.com
Simpatizante da linha política, então proposta pelo jornal “Hora do Povo”, ajudava a comercializar o periódico na feira livre de nossa cidade ou na rua Batista de Carvalho. Como dirigente estudantil participou do Congresso de Reconstrução da UNE em Salvador-Ba e da instalação do Comitê Brasileiro pela Anistia.
Eram atividades de massa, legais, não havendo necessidade de se recorrer a clandestinidade para realizá-las, afinal, os próprios militares davam sinais de que a redemocratização era necessária. Assim não pensavam, os defensores da ditadura, incrustados nas Estatais.
E Yoshino foi covardemente denunciado.
Participava de atividades dos comunistas, apareceu até em fotografias no Diário de Bauru como fundador do CBA. Não tinha “índole moral” para ser funcionário da RFFSA. Procedimento sumário determinaram a sua imediata demissão dos quadros da ferrovia. Não se preocuparam, que estavam jogando para o grande contingente de desempregados um funcionário exemplar e pai de família.
Com a peculiar garra oriental, o camarada não abaixou a cabeça e continuou lutando em busca da sobrevivência e de um mundo melhor. Acabou realizando Concurso para a Secretaria Estadual da Saúde, onde permaneceu por um bom período e posteriormente para a Secretaria de Segurança Pública do Estado. O perseguido político virou escrivão de polícia, atividade que como as outras, exerce com galhardia e dignidade, tanto que foi escolhido como “Policial Civil do Ano” pela Câmara Municipal de nossa Bauru.
Hoje, decorridos 27 anos de sua demissão, injusta e arbitrária, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu a reintegração aos quadros da ferrovia ao amigo e irmão, o sempre camarada Yoshino. Anistiado está o companheiro. Reparada está a injustiça cometida! Para encerrar, vou relembrar um ditado que meu saudoso pai utilizava, de forma costumeira:
“Herói não é aquele que vence uma batalha, e sim, aquele que atirado ao pó da derrota, consegue ter ânimos para continuar lutando”.
Yoshino não se abateu com a derrota que lhe foi imposta pelos costumazes adversários da democracia e da liberdade, continuou lutando e hoje pode saborear a vitória final.
Parabéns, camarada Edson Yoshino, espôsa Marlene e seus filhos. Tua vitória, vem comprovar que a luta justa pode ocasionar decepções, desemprego e entretanto, permite-nos viver com dignidade a espera da Justiça. E esta foi feita.
Vamos tomar um suco de cevada espumante em homenagem aos seu algozes!
Antonio Pedroso Júnior
chineloneles@hotmail.com
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