segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dr. Assis Moreira Silva

Era menino e acompanhava meus pais em suas atividades sindicais/políticas por nossa Bauru. Lembro-me da campanha municipal de 1963, vencida pelo Dr. Nuno de Assis, ocasião em que o Partido Socialista Brasileiro tinha como candidato a prefeito o ferroviário Ivaldo Crivelli e à vice o saudoso Edison Bastos Gasparini, sendo que nos comícios da dobradinha socialista sempre estava presente o então jovem candidato a vereador Assis Moreira Silva. Posteriormente, lembro-me do Assis nos primeiros dias do pós-golpe militar de 1º de Abril de 1964, quando esteve preso juntamente com outros estudantes e sindicalistas bauruenses, prisão esta motivada pela deduragem e perseguição da nefasta e de triste memória Frente Anti-Comunista. Depois de alguns dias, Assis foi libertado. Entretanto, suportou por durante muito tempo as perseguições advindas em virtude desta prisão. De nada adiantava realizar concursos públicos, pois sua ficha no extinto DOPS não o deixava ser aprovado. Assis, entretanto não esmorecia e sempre que possível estava presente nas lutas do povo brasileiro. Participou do antigo MDB, da luta pela Anistia Política em 1979 e foi candidato a vice-prefeito nas eleições municipais de 1982 pelo PMDB, colaborando para que Gasparini fosse eleito Prefeito de Bauru. Não custa recordar que à época existia o instituto da sublegenda e ganhava a eleição o partido que obtivesse o maior número de votos. Gasparini/Arlindo/Cardoso Neto do PMDB tiveram maior número de votos que Wanderley Francisco/Inocêncio Medina/Nilson Costa, então candidatos do PDS (ex-ARENA). Portanto, sempre que possível Assis colocou-se na luta em busca de melhores condições de vida para o povo brasileiro. Hoje, três de Janeiro, somos surpreendidos com a notícia de seu falecimento precoce. Logo no dia em que fazia aniversário, o Cavaleiro da Esperança, Luis Carlos Prestes. Assis que não comemorou seu aniversário natalício em 04.11.1969, quando completava 31 anos de idade em decorrência do assassinato de Carlos Marighela, vem a falecer no dia do nascimento de um dos políticos coerentes que esta pátria teve. Entretanto, esta carta tem a justificativa de um pedido de desculpas pós-morten. Estando em contato com o companheiro nos últimos tempos, colaborando para que o mesmo tivesse seus direitos de perseguido político reconhecido pelo governo, recebi deste um pedido honroso : Queria se filiar no PSB. Não para disputar eleições e sim para morrer no partido onde iniciou sua militância política. Havia marcado com o companheiro a oficialização desta filiação, assim que o mesmo se recuperasse da cirurgia realizada ontem. Não deu tempo, o destino o levou antes. Com toda a certeza sua ficha está sendo abonada por companheiros que o esperam para um bom papo e umas rodadas de seresta.
Até um dia companheiro.

Antonio Pedroso Júnior
chineloneles@hotmail.com

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