segunda-feira, 13 de abril de 2009


45º ANIVERSÁRIO DO GOLPE MILITAR DE 1º DE ABRIL.

Em 30 de Março de 1964, o presidente João Goulart, legitimo no exercício do mandato, em entrevista coletiva afirma que conspiradores planejavam um Golpe Militar.
Era tarde.
Já na noite seguinte, liderados pelo general Olimpio Mourão, tropas sediadas em Minas Gerais começavam a se locomover com a finalidade de depor o governo. Setores governistas, sindicais e estudantis acreditavam que Mourão e os demais militares golpistas iriam encontrar resistência do II Exército, comandado pelo General Amaury Kruel.
Ledo engano.
Kruel aderiu aos golpistas, garantindo o acesso destes ao poder. Interessante é que usaram como estopim a chamada “revolta dos marinheiros”, que paralisaram suas atividades em busca de melhorias materiais para o desempenho de suas funções. Mais interessante ainda é que os marinheiros eram comandados pelo José Anselmo dos Santos, o conhecido Cabo Anselmo, que anos mais tarde se notabilizou como informante e alcagüete dos movimentos de oposição, levando a morte dezenas de brasileiros que ousavam lutar por um Brasil democrático e livre. O sanguinário, dentre outros, denunciou sua própria companheira, grávida de um filho seu, para a repressão.
Ora, decorridos 45 anos dos fatos, pode-se dizer com certeza absoluta e nenhum medo de errar, que os golpistas usaram a figura caricata, de um cidadão sem ética e moral, para terem os motivos para ultimar os preparativos do golpe, com ajuda financeira norte-americana.
Em nome de uma pretensa democracia, prenderam, torturaram, cassaram, mataram e demitiram pessoas que pudessem representar algum obstáculo para suas pretensões ditatoriais. Um verdugo da repressão costumava comentar no final de 1964, que haviam conseguido eliminar os vermelhos, rosas e até os alaranjados da vida pública brasileira. AS forças armadas viam atônitas militares nacionalistas sendo presos, reformados sob a tacanha acusação de serem simpatizantes do “credo vermelho”.
Tal situação, de domínio direitista militar, onde a truculência era o atributo maior de nossos governantes (?), acabou por motivar os comunistas a organizarem a oposição contra os usurpadores do poder. Carlos Marighela discordou da linha pacifista do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro e rachou com o partido, buscando contatos com velhos militantes no intuito de criar uma organização armada que combatesse a ditadura militar, nascendo deste movimento a ALNAção Libertadora Nacional -. Os militares cassados em 64, capitaneados pelo Sargento Onofre Pinto, paralelamente, criavam a VPR – Vanguarda Popular Revolucionária -, com a mesma intenção, a de lutar, com armas na mão, contra o regime militar.
Se os opositores ao regime já estavam sendo dizimados pela repressão, quando tentavam de forma pacifica demonstrar o quanto era ruim a política econômica e social dos golpistas, agora, quando sofriam enfrentavam resistência armada, a situação piorou e muito. Verdadeiros assassinatos foram cometidos nas câmaras de tortura, de patriotas que ousavam divergir da tirania. O caráter desses facínoras, promovidos a autoridades, sem apoio popular pode ser medido pelas determinações do Delegado Sergio Paranhos Fleury, de mandar aplicar injeções em mulheres que presas, tinham filhos em idade de amamentar, para que o leite materno secasse, afinal, as finas narinas de Fleury sentiam náuseas com o cheiro de leite materno.
Por essas e outras, tirania nunca mais!

Antonio Pedroso Júnior.
chineloneles@hotmail.com

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